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Homem viaja mais de 2 mil km e descobre que 'pretendente virtual' foi criada por IA

13/10/2026

Homem viaja mais de 2 mil km e descobre que 'pretendente virtual' foi criada por IA

Edimar Rocha Martins, de 49 anos, viajou mais de 2 mil quilômetros de ônibus para encontrar uma mulher que descobriu ter sido criada por inteligência artificial.

O pedreiro começou a interagir nas redes sociais com o perfil de Jéssica Oliveira, que acumula 300 mil seguidores. A conta mantinha conversas privadas.

Ao chegar a Belo Horizonte sem o endereço da pretendente, Edimar procurou por ela nas ruas e em uma rádio local.

Edimar não desconfiou de golpe porque nunca lhe pediram dinheiro. O perfil prometia ajuda e dizia em vídeo: "To querendo um rapaz macho".

Acolhido pela prefeitura de Belo Horizonte, o homem recebeu alimentação e uma passagem para Augustinópolis (TO), sua cidade natal.

Um homem de 49 anos viajou de Imperatriz, no Maranhão, para encontrar em Belo Horizonte uma mulher criada por inteligência artificial que ele acreditava ser real e que havia supostamente prometido dividir a vida com ele. Só depois de fazer a viagem de mais de 2 mil quilômetros de ônibus e buscar a pretendente pela capital mineira que o homem descobriu que ela não existe.

Edimar Rocha Martins contou ao g1 que começou a "conversar" com a mulher depois que vídeos dela apareceram em suas redes sociais.

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Nos posts, a mulher gerada por IA, que se apresenta como Jéssica Oliveira e Jessica Fazendeira, acumula mais de 300 mil seguidores e faz anúncios de plataforma de vendas na internet. Com voz e traços humanos realistas, ela relata estar divorciada e à procura de um homem para morar em uma fazenda no interior.

Segundo Edimar, o perfil mantinha conversas privadas com ele. A viagem do pedreiro para BH, no entanto, ocorreu sem que ele tivesse o endereço dela.

"Eu vim em busca de uma felicidade, né? Eu tenho 49 anos, sou divorciado, saí sexta-feira de Imperatriz (MA) e cheguei aqui [a Belo Horizonte] domingo (11)", contou após relatar a decepção por não encontrar Jéssica.

Edimar disse que, ao chegar a BH, perguntou para pessoas na rua se conheciam a mulher. Ele também pediu ajuda a uma rádio. O pedreiro afirma só ter se dado conta de que Jéssica não existia pelo fato de ninguém conhecê-la.

"Eu já andei com várias fotos, mostrando e perguntando se alguém conhecia essa pessoa e todos falaram que não. Então, eu me senti enganado", relatou.

Promessas de ajuda financeira

O pedreiro, que atualmente, está afastado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), afirmou que não houve desconfiança sobre a possibilidade de se tratar de um golpe porque a suposta mulher nunca pediu dinheiro durante as conversas. Segundo ele, ela prometia, inclusive, ajudá-lo com a viagem para visitá-lo.

"Sempre oferecia para pagar minha passagem, me buscar em qualquer lugar, passar o endereço, e eram assim as propostas", afirmou.

Nos vídeos públicos postados em sua rede social, a personagem fala em ajudar os homens. "Eu gosto de ajudar, mas eu quero você mesmo para mim. E to querendo um rapaz macho", diz ela em um dos vídeos postados em seu perfil.

O g1 entrou em contato, por mensagem privada, com o perfil da mulher criada por IA, em busca de esclarecimentos do adminstrador da conta, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

O g1 também entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais e aguarda retorno.

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Ajuda para voltar

Após as tentativas frustradas de encontrar a "namorada virtual" por Belo Horizonte, o homem foi orientado a recorrer à Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) informou que Edimar recebeu orientações sobre os riscos de golpes praticados por meio das redes sociais e teve acesso a banho e alimentação.

Depois de uma avaliação da equipe técnica, a prefeitura emitiu uma passagem para ele viajar ao município de Augustinópolis (TO), onde ele nasceu e para onde desejava ir. A viagem ocorreu na tarde desta terça-feira (13).

Antes de embarcar para a cidade natal, ele desabafou sobre a situação.

"Isso aí é uma coisa que não era nem para existir. Era para uma lei botar em cima disso aí, que todo mundo é enganado. Qualquer um cai" , destacou Edimar.

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